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Sou apenas uma senhora que ainda canta

Zezé Gonzaga
Discos: MPB

Disponible

14,95 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Biscoito Fino
Estilo MPB
Año de Edición Original 2002

Más

Zezé Gonzaga (voz)

Participación especial de: Cristóvão Bastos (piano, arreglos) y João Lyra (guitarra acústica).

"Foram quase 30 anos sem lançar um álbum solo; desde 1979 Zezé Gonzaga não soltava a voz num disco apenas seu. Depois de bater ponto por oito anos no espetáculo As Cantoras do Rádio, a veterana retorna sob a batuta de Hermínio Bello de Carvalho, produtor do presente álbum e do show homônimo. Zezé ainda transborda de vitalidade e técnica. Não havia muito o que mexer, mesmo; foi apenas o caso de escolher com bom gosto o repertório, entregar a tapeçaria musical a Cristóvão Bastos (autor dos arranjos) e partir para o abraço. Há canções previsíveis no disco, levando-se em consideração a carreira de Zezé, e há momentos mais surpreendentes (como a inesperada Por Que Te Escondes, composta em 1958 por Pixinguinha e Thiago de Mello e só gravada agora). Mas há também a voz impecável da cantora de 76 anos, que implode as divisões de gênero – músicas de fossa, samba-canção, bossa nova – e imprime uma unidade estílistica notável ao disco. A supervisão da obra fica a cargo de Elizeth Cardoso, de cujo repertório saiu boa parte das canções cantadas por Zezé aqui e que comparece, como compositora, com outra surpresa, a pouco conhecida Estrelas. Da junção de Zezé, Elizeth e Hermínio sai mais um bom serviço prestado à tradição de nossa canção popular – mas tudo com cara de novidade.
Delicadeza, instrumental e de interpretação vocal, é o mote do álbum. Tramas musicais de construção simples (cello, piano, violão) mas de resultado vistoso fazem a base para Zezé recriar várias das pérolas de Elizeth. Não Me Culpe, Quando Tu Passas por Mim, Pra Machucar Meu Coração ou Trocando em Miúdos, exemplos da capacidade da Divina de penetrar fundo na alma humana, renascem aqui com sutileza, valorizadas pela ótima forma da veterana Zezé. Passagens menos antológicas da carreira de Elizeth (como Faxineira das Canções) recebem da intérprete o mesmo tratamento apurado. E na iluminada Prelúdio da Solidão, cantada à capela, Zezé confirma seu lugar como remanescente da melhor tradição do canto feminino brasileiro." Marco Antonio Barbosa

"Zezé Gonzaga – artista que teria completado 100 anos no último dia 3 de setembro – foi uma grande cantora que não ficou entronizada na memória popular como uma grande cantora, como tantas estrelas da era do rádio. Talvez tenha faltado a Maria José Pinto Gonzaga (3 de setembro de 1926 – 24 de julho de 2008) – artista falecida aos 81 anos, em decorrência de falência múltipla dos órgãos, há 18 anos – a vocação para o estrelato, para a popularidade e para lidar com a indústria da música, mas jamais lhe faltou o talento para o canto.
A afinação, emissão e respiração perfeitas de Zezé Gonzaga fizeram dela uma senhora cantora desde quando começou a carreira iniciada em 1939 em Além Paraíba (MG), cidade mineira onde se criou a menina mineira nascida em Manhuaçu (MG) em família de poucos recursos.
Com a voz privilegiada e habilidade para harmonizar a técnica exemplar com a emoção pedida pelas músicas que interpretava, Zezé Gonzaga logo sobressaiu no elenco de estrelas da Rádio Nacional, emissora na qual ingressou em 1949 e onde se tornou a cantora preferida de ninguém menos do que o pianista e maestro Radamés Gnattali (1906 – 1988).
Outro fã ilustre foi Hermínio Bello de Carvalho, produtor da coletânea “Entre cordas”, álbum que encerrou em 2008 a discografia iniciada por Zezé em 1949 com a gravação e edição do single de 78 rotações por minuto em que a cantora debutante gravou os sambas-canção “Desci” (Cláudio Luiz e Alcir Pires Vermelho) e “Inverno” (Clímaco César).
O single não aconteceu. Zezé Gonzaga, aliás, poucas vezes aconteceu nas paradas, mas cabe registrar o sucesso em 1951 da gravação de “Canção de Dalila”, versão em português da canção norte-americana “Delilah theme” (Victor Young, 1949), tema de filme lançado dois anos antes nos Estados Unidos.
Voz de vários jingles da Rádio Nacional, a cantora emplacou mais um sucesso em 1953 ao gravar o baião “É sempre o papai” (Miguel Gustavo) com o trio As Moreninhas. Três anos depois, em 1956, uma regravação do pioneiro samba-canção “Linda flor (Ai ioiô)” (Henrique Vogeler, Luiz Peixoto, Marques Porto, 1929) repôs Zezé Gonzaga nas playlists radiofônicas da época.
Contudo, o fato é que, diferentemente do que aconteceu com outras estrelas da era do rádio, a voz e as gravações de Zezé Gonzaga não atravessaram gerações. Até porque, a partir dos anos 1960, a carreira da cantora perdeu o impulso da década anterior. Tanto que Zezé abandonou o canto profissional em 1971.
A artista somente voltou à cena em 1979, resgatada por Hermínio Bello de Carvalho, que produziu naquele ano, para marcar a retomada da carreira da cantora, o álbum em que Zezé Gonzaga deu voz a músicas do compositor carioca Norival Carlos Teixeira (1914 – 1980), o Valzinho, com o quinteto de Radamés Gnattali. Editado pelo MIS, o álbum se chamou “Valzinho – Um doce veneno”.
O mesmo Hermínio produziria, 23 anos depois, o álbum “Sou apenas uma senhora que ainda canta”, editado em 2002. Esse álbum promoveu na época mais um retorno à mídia dessa senhora cantora, admirada em nichos musicais, mas bem menos conhecida do que poderia ter sido pela alta qualidade do canto e do belíssimo timbre." Mauro Ferreira (g1.globo.com, 14.09.2026)

Temas

CD 1
Não me culpe
Dolores Duran
Molambo
Jayme Florence - Augusto Mesquita
Franqueza
Denis Brean - Osvaldo Guilherme
Quando tu passas por mim
Antonio Maria - Vinicius de Moraes
Por você
Cristóvão Bastos - Hermínio Bello de Carvalho
Trocando em miúdos
Francis Hime - Chico Buarque de Hollanda (Chico Buarque)
Cansei de Ilusões
Tito Madi
Estrelas
Elizeth Cardoso
Canção de amor
Elano de Paula - Chocolate
Chão de estrelas
Orestes Barbosa - Silvio Caldas
01
Faxineira das canções / Esquecendo você
Joyce / Antonio Carlos Jobim (Tom Jobim)
06:35
02
Inquietação
Ary Barroso
03:33
03
Pot-Pourri:
08:16
04
Por que te escondes?
Alfredo da Rocha Vianna (Pixinguinha) - Thiago de Mello
03:01
05
Pot-Pourri:
07:52
06
Meu consolo é você
Antônio Gabriel Nássara (Nássara) - Roberto Martins
03:08
07
Todo sentimento
Cristóvão Bastos - Chico Buarque de Hollanda (Chico Buarque)
03:11
08
Imagens
Valzinho - Orestes Barbosa
01:21
09
Vida de artista
Sueli Costa - Abel Silva
10
Prelúdio da solidão / O que tinha de ser
Heitor Villa-Lobos - Hermínio Bello de Carvalho / Antonio Carlos Jobim (Tom Jobim) - Vinicius de Moraes
02:04
11
Prá machucar meu coração
Ary Barroso
03:27
12
Sou apenas uma senhora que ainda canta
Radamés Gnattali - Hermínio Bello de Carvalho
03:19
13
Pot-Pourri:
04:34