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Negro samba lírico - Vidal Assis canta Elton Medeiros

Vidal Assis
Discos: Samba

Disponible

18,49 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Estilo Samba
Año de Edición Original 2025

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Vidal Assis (voz, guitarra acústica)

Trio Júlio (Marlon Julio (guitarra de 7 cuerdas), Maycon Julio (bandolim, cavaquinho), Magno Julio (percusión)), Munique Mattos, Bee Campos,  Eliane Duarte y Márcia Duarte: (coros), Flávia Chagas (cello).

Participación especial de: Chico Buarque (voz), João Bosco (voz, guitarra acústica), Paulinho da Viola (voz), Ayrton Montarroyos (voz), Beatriz Rabello (voz), Cristóvão Bastos (piano).

Edición en formato Digipack.

"Negro samba lírico – Vidal Assis canta Elton MedeirosNegro samba lírico é o título mais apropriado para o álbum que o cantor Vidal Assis lança amanhã, 14 de novembro, em CD e em edição digital da gravadora Kuarup. O nome é perfeito porque, no disco, Vidal dá voz aveludada e extremamente afinada ao samba do compositor carioca Elton Medeiros (22 de julho de 1930 – 3 de setembro de 2019), nascido há 95 anos e falecido há seis.
Extraordinário melodista, Elton tinha habilidade para encadear notas musicais e, com elas, gerar sambas maviosos de beleza rara e potencializada pelo lirismo dos versos de parceiros poetas e/ou letristas do naipe de Cartola (1908 – 1980), Paulinho da Viola e Zé Ketti (1921 – 1999), também eles criadores de melodias excepcionais.
Um desses parceiros poetas, mas não melodista, é Hermínio Bello de Carvalho, idealizador com Vidal Assis deste songbook estrelado de Elton Medeiros em que o politizado Vidal enfatiza o lirismo da arte negra em contraponto a uma visão eurocentrista que associa a sofisticação e o arrebatamento artístico sobretudo à produção dos musicistas brancos europeus.
Negro samba lírico – Vidal Assis canta Elton Medeiros é o segundo álbum do cantor e compositor carioca de 40 anos. O primeiro, Álbum de retratos (2016), foi lançado há nove anos.
Luxuoso, o time de convidados do songbook de Elton inclui gigantes como Chico Buarque, João Bosco e o próprio Paulinho da Viola. Esse time valoriza o álbum Negro samba lírico, mas basta ouvir a abordagem de Peito vazio (Elton Medeiros e Cartola, 1974) – em gravação em que resplandece o toque do bandolim de Maycon Julio – para perceber que Vidal Assis se garante sozinho.
É fato que algumas gravações, como a do sublime samba Onde a dor não tem razão (Elton Medeiros e Paulinho da Viola, 1981), tangenciam demais os registros originais (no caso, o feito pelo próprio Paulinho em álbum de 1981).
Por outro lado, o canto preciso de Mascarada (1964) – obra-prima da parceria Elton com Zé Ketti – evidencia que Vidal em nada fica a dever à gravação feita por um dos maiores cantores do Brasil, Emilio Santiago (1946 – 2013), para o álbum Aquarela brasileira 5 (1992). Tanto que, quando entra a voz já fanhosa de Chico Buarque, há quebra de clima que acentua o desnível entre o canto do anfitrião e o canto do convidado, de presença ainda assim emblemática na faixa.
João Bosco foi mais diferença como violonista e cantor na gravação de Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968). O violão singular de Bosco é o único instrumento do fonograma.
Faixa já apresentada em single que anunciou o álbum em 19 de setembro, Folhas no ar (1965) – samba menos conhecido de Elton com Hermínio lançado há 60 anos pela cantora Elizeth Cardoso (1920 – 1990) no álbum Elisete sobe o morro (1965) – reitera o lirismo das letras e melodias do cancioneiro de Elton em gravação que junta Vidal Assis com Paulinho da Viola.
Além da ficha técnica estelar, o álbum Negro samba lírico também tem valor adicional por apresentar músicas inéditas de bom nível, casos de Um amor singular – parceria de Elton com Vidal Assis e Ronaldo Bastos – e de Colhendo imagens (Elton Medeiros e Vidal Assis).
Em Colhendo imagens, os versos “Mas é na noite também que ainda choro por ela / Dissolvendo as imagens que um dia eu guardei no olhar / E assim faço as tintas da dor / E meu peito é a tela / Onde insisto em traçar / O perfil da saudade e o desejo de vê-la voltar” aludem poeticamente à perda da visão que acometeu Elton Medeiros nos últimos anos de vida do compositor.
Se Moema morenou (Elton Medeiros e Paulinho da Viola, 1981) faz o álbum entrar na roda do samba-chula da Bahia, com as palmas de Munique Mattos e o arsenal percussivo de Magno Julio (agogô, congas, pandeiro, prato e reco-reco), A maioria sem nenhum (Elton Medeiros e Mauro Duarte, 1966) faz a cuíca chorar para denunciar a injustiça social em discurso turbinado com a récita, no compasso do rap, do poema Como eu quero ser lembrado, do próprio Vidal. A ativista Bia Ferreira participaria da faixa, mas ficou fora do disco por questões contratuais.
Na mesma linha política, mas sob outro prisma, o inédito samba-canção Navegações – letrado por Nei Lopes a partir da melodia construída por Elton e Vidal – propõe outro olhar para a colonização dos países da América Latina por nações europeias.
Música que há quase 30 anos deu título a álbum do compositor enfocado no songbook, Mais feliz (Elton Medeiros, Carlinhos Vergueiro e Paulo César Feital, 1996) realça o brilho do já mencionado bandolim de Maycon Júlio – instrumento recorrente no disco – em gravação que junta as vozes de Vidal Assis e Ayrton Montarroyos, grande cantor de alma antiga, afinado com a nostalgia da letra de Paulo César Feital.
Há também nostalgia no desalento afetivo que pauta Baile dos amores, inédita surgida de melodia de Elton e Cristovão Bastos letrada por Vidal. O piano de Cristovão é o único instrumento da faixa, mas, na maior parte do álbum, quem dá o fino acabamento instrumental é o Trio Julio, formado por Magno Julio (percussões), Marlon Julio (violão de sete cordas) e Maycon Julio (cavaquinho).
Também em tom melancólico, o inédito samba-choro Iluminada – composto por Elton com Vidal e gravado pelo cantor com Beatriz Rabello – presta reverência na letra ao compositor Valzinho (1914 – 1980) e à cantora Zezé Gonzaga (1926 – 2008), voz da era do rádio.
No arremate do álbum, O sol nascerá (Elton Medeiros e Cartola, 1964) faz raiar a esperança no horizonte com o lirismo que rege as 14 gravações deste excelente Negro samba lírico. Ainda que nem todas as melodias inéditas façam frente ao já conhecido cancioneiro de Elton Medeiros, o nível é sempre bom. Vidal Assis apresenta songbook à altura do compositor." Mauro Ferreira (g1.globo.com, 13.11.2025)

Temas

CD 1
01
Onde a dor não tem razão
Paulinho da Viola - Elton Medeiros
02:52
02
Mascarada
Zé Keti - Elton Medeiros
Vidal Assis & Chico Buarque
02:49
03
Peito vazio
Angenor de Oliveira (Cartola) - Elton Medeiros
03:24
04
Pressentimento
Elton Medeiros - Hermínio Bello de Carvalho
Elton Medeiros & João Bosco
04:10
05
Folhas no ar
Elton Medeiros - Hermínio Bello de Carvalho
Elton Medeiros & Paulinho da Viola
02:37
06
Um amor singular
Elton Medeiros - Vidal Assis - Ronaldo Bastos
03:16
07
Moema morenou
Paulinho da Viola - Elton Medeiros
03:04
08
Maioria sem nenhum / Como eu quero ser lembrado (poema)
Elton Medeiros - Mauro Duarte / Vidal Assis
04:36
09
Colhendo magens
Elton Medeiros - Vidal Assis
03:37
10
Mais feliz
Elton Medeiros - Carlinhos Vergueiro - Paulo César Feital
Elton Medeiros & Ayrton Montarroyos
03:18
11
Baile dos amores
Elton Medeiros - Cristóvão Bastos - Vidal Assis
Elton Medeiros & Cristóvão Bastos
04:05
12
Iluminada
Elton Medeiros - Vidal Assis
Elton Medeiros & Beatriz Rabello
04:58
13
Navegações
Elton Medeiros - Vidal Assis - Nei Lopes
02:46
14
O sol nascerá
Angenor de Oliveira (Cartola) - Elton Medeiros
02:24