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Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão

Gilsons
Discos: MPB

Próximamente disponible

27,90 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Xirê
Estilo MPB
Año de Edición Original 2026
Observaciones CD-R

Más

Gilsons: João Gil (voz, guitarra acústica, guitarra bahiana, bajo), José Gil (voz, guitarra acústica, guitarra eléctrica, bajo, percusión, programaciones, producción) y Francisco Gil (voz, guitarra eléctrica, bajo)

Diogo Gomes (trompeta, arreglos de vientos y cuerdas), Jorge Continentino (saxo alto, flauta, pífano), Thiago Queiroz (saxo barítono, arreglos de vientos), Marlon Sette (trombón), Pedro Malcher y Rodrigo Tavares (teclados, piano), Gus Levy (guitarra eléctrica), Kainã do Jêje (batería, percusión), Ricardo Guerra y Luizinho do Jêje (percusión), Daniel da Silva (cello), Sérgio Santos, Kayan Guter, Pep Sterling y Iuri Rio Branco (programaciones).

Participación especial de: Arnaldo Antunes (voz), Caetano Veloso (voz), Julia Mestre (voz), Moreno Veloso (voz, cello), Tom Veloso (voz, guitarra acústica, bajo), Narcizinho (voz), Sona Jobarteh (kora, voz).

“A gente quis dar um passo à frente sem perder a nossa gênese”, contextualiza José Gil, produtor musical do segundo álbum de estúdio do trio Gilsons, “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”, posto no mundo às 15h de ontem, 3 de março.
A audição do álbum mostra que a fala de José não soa como mera retórica ou marketing. De fato, é nítida a evolução do grupo formado no Rio de Janeiro (RJ) em 2018 por Francisco Gil, João Gil e José Gil.
A influência natural do som de Gilberto Gil – patriarca da família de origem baiana – é percebida já no violão que insinua o toque de ijexá que conduz “Visão” (Francisco Gil), música que abre o disco, embutindo na letra o verso que intitula o álbum “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”.
É curioso como os Gilsons se conectam bem com o público jovem sem abrir mão das referências da MPB de Gilberto Gil, também perceptíveis em “Semeia” (Gus Levy) e “Zumbido” (João Gil), faixas valorizadas pelos arranjos de sopros orquestrados por Diogo Gomes e Thiago Queiroz, respectivamente.
Talvez nem seja exagero apontar uma maturidade precoce dos Gilsons, potencializada pelas dissonâncias que pautaram a vida da família Gil entre este segundo álbum de estúdio e o antecessor “Pra gente acordar” (2022). Entre um e outro disco, o clã enfrentou a doença e a morte de Preta Gil (1974 – 2025) – mãe de Fran, tia de João e irmã de José – em julho do ano passado.
O repertório do álbum inevitavelmente reflete o impacto dessa perda, mas nas letras do que na sonoridade. Tem uma baianidade no balanço de “Desejo” (Francisco Gil, João Gil e José Gil), por exemplo, mas há também uma maior densidade nas letras que contrasta com a frivolidade banal e por vezes vulgar do pop consumido em larga escala pelo público jovem no mainstream musical do Brasil.
As duas faixas adiantadas pelo trio em single editado em 19 de janeiro, “Bem me quer” (Narcizinho Santos e Jocimar Lopes Cunha) e “Minha flor” (João Gil e Arnaldo Antunes), já indicaram que os Gilsons celebram o passado (ainda curto, mas já glorioso diante da grande repercussão do álbum de estreia e da turnê “Pra gente acordar”) enquanto apontam o futuro no álbum “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”.
“Bem me quer” celebra o passado do grupo com mix de tambores (percutidos por Kainã do Jeje) e beats (gerados pelas programações pilotadas por José Gil).
Canção de tom lírico, “Minha flor” desabrocha rumo ao futuro, quase em feitio de oração, com a letra escrita por Arnaldo Antunes em sincronia com a melodia de João. Ao mesmo tempo, a união das vozes dos Gilsons com as de Caetano Veloso, Moreno Veloso e Tom Veloso (este também no violão) carrega tradições por reunir as famílias Gil e Veloso, afinadas na música e na vida.
O lirismo de “Minha flor” se afina com o tom poético de “Vai chover”, bonita parceria de João Gil com o recorrente Arnaldo Antunes, que faz feat com os Gilsons na faixa.
Já “Beijo na boca” (Fran Gil) injeta leveza e juventude condizentes com a imagem do trio, ecoando a efervescência do som de Carlinhos Brown. A adesão de Iuri Rio Branco na produção da faixa – dividida com José Gil – turbina a porção de eletrônica.
A presença de Julia Mestre como coautora e intérprete convidada de “Nó na cuca” – outra música mais leve, assinada por José Gil e Zé Ibarra com Julia – também reforça o elo do álbum com a história dos Gilsons, até porque Julia é habitual colaboradora do trio.
No arremate do álbum, os tambores introduzem “Se a vida pede”, parceria de José Gil com Sona Jobarteh – cantora, compositora e multi-instrumentista inglesa de ascendência gambiana – que fecha lindamente “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão” como breve manifesto de aceitação do curso da vida em versos como “Se a vida pede, eu vou tocando / Se o mundo gira, eu vou dançando / ... / Na corda do tempo, deslizo sem pressa”.
A vida pediu resiliência a Francisco Gil (baixo, guitarra, violão e voz), João Gil (baixo, guitarra, guitarra baiana, violão e voz) e José Gil (baixo, percussão, programações, violão e voz). O trio encarou o luto e resistiu. A bela resposta ao tempo é este coeso álbum em que os Gilsons, em nítido progresso, refinam o som entre a leveza e o lirismo." 04.03.2026)

Temas

CD 1
01
Visão
Francisco Gil
03:21
02
Semeia
Gus Levy
03:28
03
Zumbido
João Gil
03:21
04
Desejo
Franisco Gil - José Gil - João Gil
03:24
05
Bem me quer
Narcizinho Santos - Jocimar Lopes Cunha - Francisco Gil
Gilsons & Narcizinho
03:05
06
Minha flor
Arnaldo Antunes
Gilsons, Caetano Veloso, Moreno Veloso & Tom Veloso
04:02
07
Beijo na boca
Francisco Gil
03:21
08
Vai chover
Arnaldo Antunes - João Gil
Gilsons & Arnaldo Antunes
02:12
09
Nó na nuca
Julia Mestre - Zé Ibarra - José Gil
Gilsons & julia Mestre
04:09
10
Se a vida pede
Sona Jobarteh - José Gil - Luizinho do Jêje
Gilsons & Sona Jobarteh
02:05