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Mama Mundi

Chico César
Discos: MPB Paraíba

Disponible

14,95 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Universal Music
Estilo MPB Paraíba
Año de Edición Original 2000

Más

Chico César (voz, guitarra acústica, flauta, percusión)

Simone Julian (flauta, saxo soprano, coros), Walmir de Almeida Gil (trompeta, arreglos), Nahor Gomes Oliveira (flugelhorn), Samuel Pompeo (saxo barítono), Valdir José Ferreira y François de Lima (trombón), Toninho Ferragutti o Chico Chagas o Amadeu Magalhães (acordeón), Luiz Avellar (piano, arreglos), Nelson Ayres (piano, arreglos), Sacha Amback (sintetizadores, sampler), João Lyra (guitarra acústica), Mário Manga (Mário Augusto Aydar) (guitarra acústica, bandolim, banjo, programaciones, coros, arreglos), Célio Barros (contrabajo), Swami Júnior o Nico Assumpção (bajo eléctrico), Marcos Suzano (percusión, efectos, programaciones), Naná Vasconcelos (percusión, voz), Beto Cazes, Carlos Negreiros, Jovi Joviniano, Simone Sou, Guello (Luiz Carlos Xavier Coelho Pinto), Sidinho Moreira (percusión), Nair Cândia, Jurema de Cândia, Márcio Lott, Xico Pupo, Basuru Jobarteh, Ana Amélia, Tatá Fernandes, Tuca Fernandes, Luizão Bastos y Rodrigo Rodrigues (coros) y conjunto de cuerdas. Mazzola (arreglos, producción), Ricardo Leão (arreglos).

Edición original brasileña.

El genio de Chico César (Francisco César Gonçalves) (Catolé do Rocha, Paraíba, 1964) transforma la música regional del Nordeste brasileño en "folclore universal" o en "pop global", en música inequívocamente brasileña con vocación internacional, profundamente enraizada en la tradición, con dinamismo y diversidad cosmopolitas.
Básicamente acústico, rico en timbres y comediido pero plagado de guiños humorísticos, este álbum, el cuarto de su carrera, es el más elaborado hasta el momento pero conserva la seductora frescura de lo auténtico y le confirma como uno de las personalidades de la MPB del tercer milenio d.C..

"Mama Mundi, quarto CD de Chico César, 36, é aprumo de rota na sua carreira.
Se vinha migrando a certo comercialismo populista em seus segundo ("Cuscuz Clã", 96) e terceiro ("Beleza Mano", 97) álbuns, agora ele parece perseguir a sofisticação -e sem apelar para modismos tecno.
Seu apreço pela world music está mantido ("4h14 ou 10 p/3", que abre o disco, já entra na fase terceiro-mundista de Paul Simon), mas aqui ele busca o novo.
Assim, congrega gaitas de foles (na já citada "4h14 ou 10 p/3") ou referências orientais ("Aquidauana", gravada primeiro nas ruas de Istambul), em arranjos quase sempre complexos.
Outro nicho de referência de Chico César, o caetanismo, passa pelo mesmo processo. A influência tropicalista fica marcada (Gilberto Gil é evidente em "Dança", regravada de seu primeiro CD, "Aos Vivos", de 95, e na "gonzaguiana" "Nego Forro").
Mas Chico resolveu tomar constituintes mais sofisticados da tropicália. Tal se pode perceber no belíssimo arranjo de "Barco" (impossível não lembrar de"Os Argonautas", do disco pré-exílio de Caetano), de evocação aos de Rogério Duprat no refluxo tropicalista de 69.
A mesma "Barco", um dos ápices do CD, se comunica com o pós-tropicalismo sideral/siderado de Jorge Ben em "Errare Humanum Est" (74) e, daí, com o outro ápice, "Talvez Você", forrado de violinos afetuosos (um pouco como os que Ben usava em 71), sob uma letra inspirada de espiral amorosa: "Se é melhor ficar só não sei/ Talvez sair/ E alguém me achar/ Talvez você".
As letras ainda giram em torno do pós-modernismo tropicalista e do romantismo de desamor.
Em "Dança do Papangu", entretanto, ele ousa modesto protesto, dizendo que "não é o Tchan/ nem U2/ na dança do papangu/ dança lady Diolinda/ dança Lady Zu".
De cara parece nacionalismo (a líder-mulher do Movimento dos Sem-Terra já foi tema de Chico em "Diolinda", que o co-autor Vicente Barreto lançou há pouco, assim como fez com "Talvez Você"), mas não é. É U2 versus Lady Zu -a disco-rock de lá contra a disco-funk daqui-, é Carla Perez versus Diolinda -a bunda de lá contra a cabeça daqui. De leve, que é contravenção.
Na ponta oposta, há "Sou Rebelde", aquela da versão brega-lindinha de Paulo Coelho para o sucesso de Lilian (a do Leno) em 79, em releitura ultracool.
Não é feia -Chico sempre se dá melhor quando amansa a voz, embora goste da aspereza e grite à vontade no CD, notadamente na canção-título e em canções que havia dado antes a Maria Bethânia ("A Força Que Nunca Seca", 99) e a Rita Ribeiro (a bela "Pensar em Você", também 99).
Mas quer apostar que foi idéia luminosa da gravadora, doida para que se refaça o "ressucesso" de Peninha por Caetano, "Sozinho"? Repare nas fundas semelhanças de tema e tratamento entre ambas... Vai ser moda.
Outra fresta é que "Mama Mundi" força a mão em estranhos temas world-indígenas -eles transpassam a faixa-título (uma realocação de "Um Índio", de Caetano), "Aquidauana", "Dança" (arranjo vindo direto da oca), os gritos finais do tecno-reggae "Folclore", o samba-enredo "Sonho de Curumim".
Fica um cheirinho de 500 anos de Brasil, de adesismo à festa que não tem razão de ser (os Pitta que o provem). Chico César fica de lá, fica de cá. Muito múltiplo, escolheu a sofisticação -o que já são óculos escuros na claridade cegante da indústria da bunda-, mas não ideologia." Pedro Alexandre Sanches (Folha de S.Paulo, 18.03.2000)


Temas

CD 1
01
4h15 ou 10 p/3
Chico César
03:01
02
Dança do papangú /  Imbalança
Chico César - Zeca Baleiro / Luiz Gonzaga - Zé Dantas
03:18
03
Tambor
Chico César
03:26
04
Pensar em você
Chico César
03:55
05
A força que nunca seca
Chico César - Vanessa da Mata
03:12
06
Nego Forró
Chico César
02:27
07
Talvez você
Vicente Barreto - Chico César
03:44
08
Mama mundi
Chico César
04:30
09
Barco
Chico César
03:45
10
Aquidauana
Chico César
04:38
11
Sou rebelde
M. Alejandro
02:52
12
Dança
Chico César
03:53
13
Folclore
Chico César
03:53
14
Sonho de Curumim
Chico César
03:22