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Flash

Marcos Suzano
Discos: Jazz / MPB

Disponible

14,95 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Trama
Estilo Jazz / MPB
Año de Edición Original 2000
Instrumental

Más

Marcos Suzano (percusión)

Nilton Rodrigues (trompeta, flugelhorn), Eduardo Neves (saxo tenor, saxo alto, saxo soprano, flauta), Fernando Moura (teclados), Alex Meirelles (teclados, sampler), André Carneiro (bajo eléctrico).

Tercer álbum como líder (o colíder) del gran percusionista carioca Marcos Suzano Martins da Costa (Rio de Janeiro, RJ, 1963), uno de los mejores pandeiristas brasileños.

"Tocar "oriednap" é apenas uma das funções do músico, compositor, arranjador, produtor e processador de sons Marcos Suzano, que lança "Flash", seu segundo CD.
Ele explica melhor: "Tocar pandeiro ao contrário é uma das características que fez com que me destacasse dos outros músicos", disse o carioca, que toca o instrumento de maneira invertida, pois, dentro da lógica do movimento realizado para tocá-lo, normalmente se começa batendo na pele do pandeiro com o punho para depois atingi-la com as pontas dos dedos. Em suma, o movimento é punho e ponta. Ele faz ponta e punho, emitindo um acento difícil de conseguir.
Com "Flash" (leia crítica abaixo), o músico mostra que tocar pandeiro invertido não é sua única característica. Suzano traz um olhar para a frente e faz música instrumental brasileira sem nenhum ranço. Talvez porque já na adolescência tenha sido um garoto rebelde, que "chapou" ouvindo a batucada do bloco Caracol de Copacabana, enquanto era fã de grupos de rock como Ten Years After, Led Zeppelin e Pink Floyd. Juntou uma moçada e comprou uma "pá" de instrumentos de percussão para batucarem na rua. Tocava de tudo: repenique, caixa, mas ficou com o surdo, porque gostava do grave. Só que foi uma cuíca que o colocou em um estúdio aos 16 anos, pela primeira vez, para gravar um frevo.
Assistindo na TV um programa sobre Clementina de Jesus, "chapou" novamente. Desta vez, com o som de Jorginho do Pandeiro, do grupo Época de Ouro, e adotou o instrumento.
Formado em economia, teve durante sua graduação várias tardes passadas na casa de Hermeto Pascoal. Conheceu muita gente relacionada à música, o que o levou a um encontro com Radamés Gnattali, culminando na gravação de "Remexendo".
Depois disso, vieram os grupos Nó em Pingo d'Água e o Aquarela Carioca, além de gravações e shows, ao lado de Zé Kéti, Marisa Monte, Zizi Possi, Gilberto Gil, Lenine, Otto e outros.
Em 86, assistiu um show de Miles Davis e quase parou de tocar por ter enxergado a música mais a fundo. Em seguida, se animou com o chamado de Paulo Moura para integrar um grupo que iria compor em cima dos ritmos de cultos afro-brasileiros.
Escutando a tabla do indiano Zakir Hussain e o berimbau de Naná Vasconcelos, chegou à conclusão de que o pandeiro deveria ser sua voz e passaporte.
Afrouxou a pele do instrumento, fixou um silvertape nela e sampleou vários sons com ele, criando um timbre e uma maneira de tocar hoje imitada pela maioria dos ritmistas.
Incluiu um cajon (instrumento criado no Peru) em seu set, comprou também uma pilha de discos, entre eles, Prodigy e Goldie.
Mas logo tudo deve mudar, pois Suzano não é artista de repetir uma mesma levada.
A arte de Suzano está em não querer apenas tocar o batuque, mas em entender como tirar o som e montar seu próprio ritmo.
"Flash" funciona como um ótimo antitérmico, que chega para acabar com a febre de cocos e maracatus "meia-boca", que a todo momento são gravados sem nenhum propósito.
Na batida de pandeiro de Suzano, há uma célula rítmica extremamente carioca de um samba que vem do congo e da levada do maculelê, que se encaixa perfeitamente no rap, no funk, no tecno, no drum and bass e no que vier.
As músicas, nove no total, trazem muitas densidades de ritmos e de sons em vários andamentos.
A primeira faixa, "Flash", é uma espécie de "frevo da parada", que tem uma levada drum and bass, com uma melodia trazendo umas variações de um "choro-cyber", promovendo uma atmosfera "dark" com momentos brilhantes. "The Message" é uma trilha ideal para quem viaja muito, o que, só pela levada, não fica difícil de acontecer.
"Baby Dancing" traz várias melodias, mas a principal é contagiante. "Sambox 1" é o primeiro solo de pandeiro do CD, ideal para treinar boxe, já que o andamento estimula golpes rápidos.
"O Colecionador" é uma metamorfose sonora, com colagens de vozes femininas e uma melodia romântica. "Zona Norte" traz mais o clima do samba ou, pelo menos, como Suzano enxerga esse gênero, cheio de efeitos metálicos de agogôs disseminados. Talvez a faixa mais etérea do CD.
"Sambox 2" é rápida, para quem já luta boxe. "Terra de Ninguém" é um samba funk com uma batucada sem compromisso, que chama a metaleira para a roda, em que o que prevalece é só sabor. Há uma menção a "Pandemonium", já gravada no seu primeiro disco, homônimo.
"Go" traz a voz de sua filha sampleada que, emendada na música mais instrumental do disco, com um solo de tenor de Eduardo Neves, lembra a sonoridade do saxofonista Dave O'Higgins.
O resultado é um disco poliglota com ótimo conteúdo." Carlos Bozzo Junior (Folha de São Paulo, 16.05.2000)

Temas

CD 1
01
Flash
Marcos Suzano - Eduardo Neves
05:31
02
The message
Marcos Suzano - Alex Meirelles
04:53
3
Baby dancing
Marcos Suzano - Alex Meirelles - Fernando Moura
06:55
04
Sambox 1
Marcos Suzano
02:22
05
O Colecionador
Marcos Suzano - Alex Meirelles
06:26
06
Zona Norte
Marcos Suzano - Fernando Moura
07:33
07
Sambox 2
Marcos Suzano
02:26
08
Terra de ninguém
Marcos Suzano - Fernando Moura
04:57
09
Go
Marcos Suzano - Fernando Moura
06:03