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O sol de Oslo

Gilberto Gil
Discos: MPB

Disponible

24,77 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Pau Brasil
Estilo MPB
Año de Edición Original 1998

Más

Gilberto Gil (voz, guitarra acústica, arreglos)

Marlui Miranda (voz, guitarra acústica), Toninho Ferragutti (acordeón), Bugge Wesseltoft (piano, teclados), Lelo Nazário (teclados), Celso Fonseca (guitarra eléctrica), Rodolfo Stroeter (contrabajo, bajo eléctrico, arreglos), Jorginho Gomes (batería), Zezinho Pitoco (batería, percusión), Trilok Gurtu (percusión, voz), Guello (percusión).

Grabado en Noruega, en noviembre de 1994, excepto los temas 9 y 14 grabadas en Brasil en enero de 1998.

Edición brasileña, de 2002, en formato Digipack, que incluye 2 temas extra ("Músico simples" (Gilberto Gil) y "Watapá" (Trilok Gurtu)).

"Gil globalizado encontra novos parceiros e namora a MPB: "O Sol de Oslo", novo disco do baiano Gilberto Gil, é mais uma mostra de como a indústria musical brasileira de hoje caminha contra a experimentação.
Foi gravado em novembro de 1994 -exceto "Onde o Xaxado Tá" e "Oslodum", registradas no início deste ano- e até agora mofava no baú por pendengas pouco explicadas entre gravadoras (Gil é artista da WEA, que, parece, achou o CD pouco comercial; o projeto é de Rodolfo Stroeter, do selo Pau Brasil, que afinal lança o produto).
Trata-se de um projeto de globalização. É o trabalho mais brasileiro de Gil desde "Refazenda" (75), no sentido do uso das tradições musicais locais. Mas foi gravado em Oslo, Noruega, e é executado por uma congregação transnacional -e ser atribuído, na capa, apenas a Gil parece mais uma vez questão não artística.
O grupo inclui a cantora cearense Marlui Miranda, o percussionista indiano Trilok Gurtu, o baixista paulista Rodolfo Stroeter, o pianista e tecladista norueguês Bugge Wesseltoft e o sanfoneiro paulista Toninho Ferragutti.
Se lançado à época, "O Sol de Oslo" estaria em sintonia com o globalizador mangue beat -que hoje já se converteu em história.
Tal pode se perceber na bela regravação, com elementos eletrônicos, de "17 na Corrente" (Edgard Ferreira-Manoel Firmino), clássico na voz do paraibano Jackson do Pandeiro, ou em "Rep".
Esta, composta por Gil, recombina rap e repente sobre letra que pende ao demagógico ("o povo sabe o que quer/ mas o povo também quer o que não sabe"). É o ponto de baixa, com a trocadilhesca "Oslodum" ("eu vou pra Oslo/ pra sair no Oslodum/ um bloco asfro").
O projeto é de conferir status de universalidade à raiz brasileira -em que se trata de um aprofundamento das intenções do mangue, embora de resultado formal bem menos ousado.
Apartado da ousadia, ganha estatura quando a veia globalizadora se concentra mais na forma -a técnica, os modos de tocar- que no conteúdo -a sonoridade.
Por isso temas de domínio público recolhidos por Marlui ("Teus Cabelos", "Ai Baiano") fazem Gil soar experimental -e simples- como há muito não acontecia.
São nessas canções que sua voz ainda se evidencia capaz de emocionar, ainda que esteja nitidamente enfraquecida pelos anos -ouça "Teus Cabelos". Versátil, a de Marlui o acompanha de perto.
Surpreendentes são novas canções de raiz compostas por Gil. Marcadas na simplicidade, as sertanejas "Xote", "Onde o Xaxado Tá" (parcerias com Stroeter) e "Eu Te Dei Meu Ané" (com Marlui) são particularmente inspiradas.
Todas contêm achados de letra: "Não adianta/ pirulito é pirulito/ periquito é periquito/ mito é mito e deus é deus" ("Xote"); "o xaxado tá/ na sandália do safado/ na espingarda do soldado/ na ordem do delegado/ na origem do sistema/ no escurinho do cinema/ na comida da jurema/ no canto da siriema" ("Onde o Xaxado Tá").
Podem se orgulhar de conviver com "Língua do P", obra-prima de Gil que Gal Costa gravou em 70 e o autor retoma agora -mas em versão bem empalidecida.
No balanço, despojado e rodeado de bons parceiros, Gil demonstra que MPB, se não afogada em burrice mercadológica das gravadoras e viagens de ego dos artistas, nem sempre é sinônimo de indigência. " Pedro Alexandre Sanches (Folha de S.Paulo, 21.09.1998)

Temas

CD 1
01
Tatá engenho novo
Dominio Público
03:50
02
Mana
Dominio Público
01:56
03
Na corrente
Edgard Ferreira - Manoel Firmino
03:04
04
Xote
Rodolfo Stroeter - Gilberto Gil
05:43
05
Eu te dei meu ané
Marlui Miranda - Gilberto Gil
03:03
06
Kaô
Rodolfo Stroeter - Gilberto Gil
06:18
07
Ciranda
Moacir Santos - Gilberto Gil
03:20
08
Rep
Gilberto Gil
02:57
09
Onde a xaxado tá
Rodolfo Stroeter - Gilberto Gil
02:58
10
Língua do pê
Gilberto Gil
04:19
11
A santinha lá da serra
Moacir Santos - Vinicius de Moraes
04:22
12
Ai baiano
Dominio Público
00:33
13
Bastiana
Marlui Miranda
04:11
14
Oslodum
Gilberto Gil
04:00