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Feito gente (Ou não (1973) + Revolver (1975))

Walter Franco

Próximamente disponible

22,26 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Warner Music
Año de Edición Original 2020
Observaciones 2CDs

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Edición especial que reúne los dos primeros álbumes del compositor y cantante paulistano Walter Franco. Dos discos musical y poéticamente innovadores que marcaron a varias generaciones de artistas brasileños, de Caetano Veloso a Arnaldo Antunes. Remasterizados, con portadas, contraportadas y fichas técnicas originales.

”Apesar de tudo muito leve”, cantava esse paulista de formação universitária, em plena época da barra-pesada. A sabedoria de Walter Franco está reunida no Revolver e no seu precursor, o enigmático “disco da mosca” , de 73, que tem as antológicas “Me Deixe Mudo” e “Cabeça” (defendida por ele, grande campeão de vaias, no último FIC da TV Globo). Os dois discos são fundamentais, mas foi Revolver que antecedeu e indicou direções mais atuais — ainda — para a música popular brasileira, graças ao tratamento mais “roqueiro” (arranjos eletrificados, uso de efeitos e outros recursos de estúdio) dado a suas composições. Como um trovador extraviado da geléia geral da Tropicália, ele cria miniaturas, paisagens sonoras independentes entre si, dando corpo a um trabalho extremamente rico na combinação de poesia e música (os arranjos ficaram a cargo do baixista Rodolpho Grani Jr.). Na concepção musical do LP, tentou-se esgotar as possibilidades de um estúdio de dezesseis canais, com utilização de play-backs em sentido contrário, saturação de freqüências e pré-mixagens. A complexidade do trabalho desenvolvido com a sonoridade da bateria – que além de usar filtros de freqüências, serve-se às vezes de outra bateria – levou a utilizar dois bateristas nos shows. A combinação dos instrumentos acústicos – principalmente os tambores e tumbadoras que reforçam o clima tribal/meditativo de algumas letras – com os teclados e guitarras sintetiza as boas influências da música contemporânea e do rock. Os anos atestam que Revolver não perdeu sua atualidade. Continua pulsando de idéias, novas até para o ouvido da era digital. O percurso posterior de Walter Franco seguiu outras direções, principalmente o caminho das baladas meditativas. Mas de quem elaborou dois LPs de tamanha criatividade e inteligência, podem-se esperar sempre novas surpresas" Lívio Tragtemberg

- "Ou não" (1973):
Walter Franco (voz, guitarra acústica), Américo Issa (acordeón), Rodolfo Grani Jr. (guitarras, bajo), Burani Filho (percusión).
"Walter Rosciano Franco (São Paulo, SP, 1945 – 2019) sempre transitou pelas margens do mercado fonográfico. Incapaz de absorver a música desse artista fora dos padrões, a indústria do disco preferiu carimbá-lo com o rótulo de maldito, posto também em Sérgio Sampaio (1947 – 1994), contemporâneo de Franco que pôs o bloco na rua no mesmo festival que deu visibilidade ao compositor de Cabeça. Justamente por essa impossibilidade de ser absorvido pelo mercado de música popular, Franco teve dificuldade para desenvolver uma carreira fonográfica regular ao longo da trajetória. Não por acaso, os principais álbuns do artista foram lançados nos anos 1970, década que concentra o suprassumo da produção autoral do compositor.
Ou não (1973), o álbum de estreia feito pelo artista no embalo da projeção obtida no FIC no ano anterior, é ponto fora da curva na discografia da música brasileira daquela década pelas experimentações com a poesia concreta e pela arquitetura fragmentada do canto e dos arranjos intrincados. Também não por acaso, o maestro Rogério Duprat (1932 – 2006) estava na produção do disco (...)" Mauro Fereira (Extraído del obituario del artista, publicado en g1.globo.com, 24.10.2019)
Así lo recuerda el propio Walter Franco en entrevista concedida a Charles Gavin para el programa "Som do Vinil": "O Ou Não é o primeiro disco, o único unplugged. Ele é totalmente acústico, quase, tirando os efeitos no estúdio. E eu precisava fazer um disco um pouco mais… (...) Ou Não é considerado o disco mais radical da história da música popular brasileira. Mais radical significa nunca foi tocado em lugar nenhum (...) Eu tinha muitas horas de voo solitário comigo em casa, com meu instrumento. E repetindo, repetindo e ouvindo, imaginando esse timbre. Então quando fui pra estúdio eu me reuni com mais três ou quatro músicos e acabaram sendo os mesmos que fizeram comigo o Revolver. O pessoal do grupo O Bando, Rodolfo Grani, a coisa toda. Muito talentosos. E eles tinham essa dedicação, também, do músico perceber por onde anda a cabeça do compositor e do interprete. Então eles pulsavam mesmo assim. Que eu sempre gostei muito da coisa das sílabas, é a silabação. Eu mudei a artimanha da música, a música solta no meio das sílabas (...) A primeira música que abre o disco Ou Não, eu quero que esse teto caia…”, “Mixturação” com X. Estava lá no estúdio Eldorado aqui em São Paulo e  a gente resolveu dar uma passada no som. E aí os três músicos e eu com um violãozinho Taiga de nylon, simplesmente. E pá… Achava que estava acertando o som (...) A gravação de "Cabeça" é uma segunda versão da música. “Cabeça” apresentada no festival da Globo era uma outra gravação e tinha até um sintetizador, também, daqueles antigos, uma nota aguda que costurava as vozes todas; e que se tornou uma primeira gravação lançada, também, pela Continental em compacto simples com dois lados (...)

- "Revolver" (1975):
Walter Franco (voz, guitarra acústica), Tony Isanah (flauta, guitarra acústica), Dudu Portes (flauta, percusión, voz), Rodolfo Grani Jr. (piano, órgano, guitarras, bajo, voz), Emílio Carrera (piano, órgano, acordeón, voz), Luiz Paulo (sintetizador, voz), Diógenes Burani Filho (batería, percusión, efectos), Chico Bezerra (voz).
"Lançado pela extinta gravadora Continental, Revolver (1975) é um dos melhore álbuns do cantor e compositor paulistano Walter Franco. Revolver é menos hermético do que o primeiro álbum de Franco, Ou não (Continental, 1973), conhecido como "o disco da mosca", mas, ainda assim, é um álbum instigante, renovador, feito com pegada de rock, como já a pista a música que abre o disco, Feito gente (Walter Franco, 1975). Com incursões pela poesia concreta em Eternamente (Walter Franco, 1975), Revolver disparou artilharia pouco comum no universo da música brasileira, dominado naquele ano de 1975 pelo samba, pela MPB e pelo cancioneiro sentimental dos cantores populares. Uma das munições de Revolver foi um laço mais apertado entre som e palavra. Não raro, a letra dava o tom e o ritmo da música. Destacando músicas como Nothing, rock de acento até pop, Revolver é um álbum matador que antecipou de certa forma o som feito por Arnaldo Antunes nos anos 1990 - em carreira solo desenvolvida após sua saída do grupo paulistano Titãs - e que reiterou o caráter revolucionário da música atípica de Walter Franco. " Mauro Ferreira (Blog Notas Musicais, 14.04.2015)