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As varias pontas de uma estrela - Ao vivo no Coala

Gal Costa
Discos: MPB

Disponible

22,27 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Biscoito Fino
Estilo MPB
Año de Edición Original 2025
Concierto

Más

Gal Costa (voz)

Limma (teclados, coros), Fábio Sá (bajo, coros), Vitor Cabral  (batería, coros).

Participación especial de: Tim Bernardes (voz) y Rubel (voz).

Grabado "ao vivo" en el Memorial da América Latina, en la ciudad de São Paulo, el 7 de septiembre de 2022, en la actuación en el Coala Festival.

Edición en formato Digipack.

"É impossível avaliar o primeiro álbum póstumo de Gal Costa (1945 – 2022) com a imparcialidade devida. Afinal, o disco eterniza o derradeiro brilho da estrela no palco e isso dá ao álbum As várias pontas de uma estrela – Ao vivo na Coala um instantâneo valor histórico ao mesmo tempo em que joga o ouvinte em um universo de inevitável melancolia. Afinal, foi ali o ponto final de trajetória luminosa. Ninguém sabia em 17 de setembro de 2022 que o show da cantora no festival paulistano Coala, no palco armado no Memorial da América Latina, seria o último de Gal.
Até pela presença de nódulo na fossa nasal, que seria extirpado pela artista em cirurgia feita após o show, a voz não estava exatamente na melhor das formas, como evidencia o canto de Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974) na abertura do álbum lançado hoje, 17 de outubro de 2025, em edição da gravadora Biscoito Fino, três anos e um mês após a apresentação. Ainda assim, era a voz de Gal e isso basta para fazer a diferença.
Por ser show de festival, o roteiro não reproduz com absoluta fidelidade o repertório da turnê As várias pontas de uma estrela (2021 / 2022), base da apresentação. Músicas inesperadas no roteiro original de novembro de 2021 – como Estrada do sol (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1958), Gabriel (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1978) e Quem perguntou por mim (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1985) – cederam lugar a sucessos como Divino maravilhoso (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968) e Palavras no corpo (Silva e Omar Salomão, 2018) para facilitar a comunicação da cantora com o público mais diversificado e animado de um festival, geralmente propenso a dispersão se não tiver a atenção capturada de imediato.
Para alicerçar a conexão com a plateia, a maioria dos arranjos tendeu para uma pegada roqueira, sustentada pela banda formada pelos músicos Fábio Sá (baixo), Limma (teclados) e Vitor Cabral (bateria). O rock afiou as garras de Tigresa (Caetano Veloso, 1977), música que Gal cantou com Rubel e Tim Bernardes em um dos pontos mais altos da apresentação. O trio também esteve junto em Baby (Caetano Veloso, 1968). Sem Tim, Rubel fez feat com Gal em Como 2 e 2 (Caetano Veloso, 1971).
Já Tim Bernardes voou alto com Gal no tapete mágico de Negro amor (It's all over now, baby blue, Bob Dylan, 1965, em versão em português de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti, 1977) e embarcou em Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971), que singra em mar revolto, no pulso da potente guitarra de Tim (elogiada por Gal em cena), num dos melhores registros dessa música apresentada originalmente no show Gal a todo vapor (1971).
É impressionante como, diante dos dois jovens cantores, a voz da estrela se acendeu com mais brilho. Pelo que sugere o disco produzido por Marcus Preto, diretor da turnê As várias pontas de uma estrela, o show de Gal no Coala foi crescendo e chegou ao ponto ideal de fervura na segunda metade.
Enfim, em que pesem as limitações naturais da voz aguda de uma cantora que iria completar 77 anos uma semana após o show, a apresentação da cantora no festival Coala fica eternizada no álbum como belo canto de cisne de Gal. A adesão do público ao show está evidenciada no disco em números como o samba-rock Quando você olha pra ela (Mallu Magalhães, 2015).
Enfim, Gal Costa saiu de cena em grande momento, ovacionada por um público majoritariamente jovem, sem nostalgia da modernidade que pautou a discografia da cantora nas décadas de 1960 e 1970, se dissipou nos anos 1980 e voltou oscilante a partir da década de 1990 até ser retomada de vez nos anos 2010 com o álbum Recanto (2011).
Com capa minimalista criada por Omar Salomão com a exposição dos lábios vermelhos da cantora, assinatura visual de Gal, o álbum As várias pontas de uma estrela – Ao vivo na Coala se beneficia da mixagem de Duda Mello e da masterização de Alexandre Rabaço, ambas ótimas.
A qualidade técnica é bem satisfatória, sobretudo se for levado em conta que o áudio do show foi captado sem a intenção de gerar um disco. Afinal, ninguém sabia que aquele show seria o último brilho de Gal Costa, estrela impagável na constelação da música brasileira." Mauro Ferreira (g1.globo.com, 17.10.2025)

Temas

CD 1
01
Fé cega, faca amolhada
Milton Nascimento - Ronaldo Bastos
03:05
02
Hotel das estrelas
Jards Macalé - Duda
03:39
03
Divino maravilhoso
Caetano Veloso - Gilberto Gil
03:03
04
Dom de iludir
Caetano Veloso
02:50
05
Quando você olha para ela
Mallu Magalhães
04:27
06
Palavras no corpo
Silva - Omar Salomão
03:41
07
Nada mais (Lately)
Stevie Wonder (Vers. Ronaldo Bastos)
04:37
08
Paula e Bebeto
Milton Nascimento - Caetano Veloso
02:29
09
Desafinado
Antonio Carlos Jobim (Tom Jobim) - Newton Mendonça
02:42
10
A história de Lilly Braun
Edu Lobo - Francisco Buarque de Hollanda (Chico Buarque)
04:28
11
Açaí
Djavan
02:54
12
Lua de mel
Lulu Santos
03:22
13
Sorte
Celso Fonseca - Ronaldo Bastos
03:46
14
Como dois e dois
Caetano Veloso
Gal Costa & Rubel
03:33
15
Tigresa
Caetano Veloso
Gal Costa & Rubel
04:24
16
Negro amor (It's all over now, baby blue)
Bob Dylan (Vers. Caetano Veloso - Péricles Cavalcanti)
Gal Costa & Tim Bernardes
04:43
17
Vapor barato
Jards Macalé - Waly Salomão
Gal Costa & Tim Bernardes
05:27
18
Baby
Caetano Veloso
Gal Costa, Tim Bernardes & Rubel
03:53
19
Um dia de domingo
Michael Sullivan - Paulo Massadas
05:04
20
Brasil
Cazuza - George Israel - Nilo Romero
03:38