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O que mais quer você saber de mim?

Dorea
Discos: MPB

Disponible

18,49 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Ajabu!
Estilo MPB
Año de Edición Original 2026

Más

Dorea (voz, guitarra acústica)

Joana Queiroz (clarinete, clarinete bajo, arreglos de vientos), Junix (guitarra eléctrica), Carla Suzart (bajo, coros), Ldson Galter (contrabajo), Sebastian Notini (percusión, batería, teclados, saxo, coros, producción).

Edición en formato Digipack.

"Dorea expõe fragilidades em seu álbum mais pessoal
O cantor e compositor baiano Daniel Dorea, 40, decidiu atravessar a fronteira entre bastidores e palco. Conhecido profissionalmente apenas como Dorea, ele lança no próximo dia 27 o segundo álbum da carreira, O Que Mais Você Quer Saber de Mim?, trabalho em que transforma inquietações íntimas em canções de tom contido e confessional.
Jornalista de formação, Dorea conta que a música sempre esteve presente, mas por muito tempo permaneceu guardada. “Eu nunca deixei de estar envolvido com a música, mas demorei muito para ter coragem de mostrar o que eu fazia, de tocar para públicos maiores”, afirma.
A virada começou em 2017, com um show em tributo ao cantor e compositor cearense Belchior, e se consolidou nos últimos anos, quando passou a lançar trabalhos autorais.
”Acho que a grande virada para mim foi quando lancei o tributo ao Belchior. Isso foi em 2017. A partir daí, algumas pessoas começaram a se interessar mais pelo meu trabalho, e isso também me deu mais coragem de lançar minhas próprias coisas. Também fui começando a gostar mais das minhas composições”, comenta o músico.
Se, no primeiro álbum, que ele lançou em 2021, as canções nasceram de uma inquietação coletiva, compostas durante o isolamento social, o novo álbum assume outro eixo. “No Grande Coisa, eu estava escrevendo muito sobre o que sentia em relação ao mundo, sobre o que estava acontecendo. Falei muito pouco de mim mesmo”, conta.
Ele recorda que atravessou aquele período em relativa estabilidade: “Eu estava em casa, com meus pais morando no mesmo prédio, tinha o que comer. Mesmo isolado, depois de uma separação, eu me neguei a falar de mim”, conta.
O que você quer saber? A pergunta que dá título ao novo trabalho surge de uma provocação íntima. “É uma pergunta-resposta a uma amiga que queria me decifrar. E também é uma vontade minha de olhar mais para dentro”, explica.
Ao longo das 11 faixas, todas compostas exclusivamente por ele, Dorea assume fragilidades, contradições e desejos. “Eu me apresento como um homem adulto que nunca tinha escancarado de tal forma as próprias portas. Eu digo: ‘Eu não me entendo, e nem pretendo’. Isso é muito diferente do disco anterior”, afirma. Para ele, há um gesto deliberado de exposição.
“É arriscar ser ignorado, ser apenas mais um entre bilhões, mas também assumir o risco de se revelar para que alguém possa se reconhecer em você”, observa.
Musicalmente, o álbum mantém a atmosfera intimista que já marcava o trabalho anterior, mas amplia as texturas. A produção é novamente assinada por Sebastian Notini, que também toca bateria, percussão, teclados e sax. Carla Suzart retorna no baixo, enquanto Joana Queiroz, integrante do grupo experimental Quartabê, assina arranjos de sopro que atravessam o disco. A guitarra de Junix, músico do Baiana System, adiciona ruídos e camadas mais elétricas a algumas faixas.
“A gente não usa grandes arranjos no sentido de grandiosidade. É tudo muito orgânico, mas há momentos em que eu deixo a discrição um pouco de lado”, diz Dorea.
Ele cita a faixa-título como síntese do espírito do álbum: “Ela começa da maneira mais íntima possível. Foi como um vômito, saiu tudo de uma vez. Eu precisava confessar coisas que estava sentindo, inclusive sentimentos pouco nobres, como a inveja”.
O percurso do disco alterna climas. Maria Milhões e Essa Pressa incorporam o rock e o blues, com guitarras mais presentes. Mais Que Dois e Sem Ancorar exploram o romantismo, este último em dueto com Luiza Britto, parceira do coletivo Outras Vozes, grupo idealizado por ele e que reúne dez artistas baianos.
Já Meu Lugar e A Pé no Deserto retornam ao formato mais despojado, centrado em voz e violão.
“Minha música não é para festa. Não é uma música para ouvir distraído”, reconhece.
“É uma música que você precisa parar para escutar, prestar atenção na letra, na melodia”, acrescenta.
Ele admite que isso pode dificultar a circulação em um mercado dominado por lançamentos constantes e por sonoridades mais imediatas. “Muita gente está lançando coisas o tempo todo. É difícil alguém acreditar só porque o outro diz que o disco é bonito”, observa.
Ainda assim, o compositor vê o lançamento como continuidade de um processo iniciado quando decidiu assumir publicamente a própria produção. “Eu sinto que estou dentro de um ciclo que se abriu quando comecei a acreditar mais nas minhas músicas. Não sei quando virá um terceiro disco, mas já estou compondo”, enfatiza.
Para além da própria trajetória, Dorea enxerga o álbum como um posicionamento artístico. Em um cenário de revisitações e tributos, ele aposta em um repertório totalmente inédito e autoral. “Eu considero um ato político lançar um disco independente só com músicas minhas. É dizer que eu confio na minha criação e que quero que outras pessoas também lancem suas próprias composições”.
A expectativa, segundo ele, é simples e direta: “Eu quero fazer mais shows, tocar em outros lugares e mostrar minha música. Quem tiver disposição para ouvir, acho que pode ter uma experiência bonita”, finaliza Dorea." Grazy Kaimbé (A Tarde, 19.02.2026)

Temas

CD 1
01
O que mais você quer saber de mim?
Daniel Dorea
03:08
02
Maria milhões
Daniel Dorea
03:57
03
Mais que dois
Daniel Dorea
05:56
04
Essa pressa
Daniel Dorea
03:45
05
Até que seque
Daniel Dorea
03:37
06
Quatro ventos
Daniel Dorea
01:37
07
Sem ancorar
Daniel Dorea
04:07
08
Pequenas criaturas
Daniel Dorea
03;26
09
Meu lugar
Daniel Dorea
03:07
10
A cidade
Daniel Dorea
03:20
11
A pé no deserto
Daniel Dorea
03:26