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A flor do recomeço

Salvador Sobral*
Discos: MPB

Próximamente disponible

16,62 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Warner Music
Estilo MPB
Año de Edición Original 2026

Más

Salvador Sobral (voz)

Tiago Costa (piano, arreglos), Conrado Goys (guitarras), Fábio Sá (contrabajo), Sergio Machado (batería), Felipe Roseno (percusión).

Participación especial de: Ney Matogrosso (voz), Dora Morelenbaum (voz).

"Salvador Sobral edita “A Flor do Recomeço”, um álbum criado e gravado no Brasil, país que tem “a música mais genuína do mundo”, com autores, produtores e músicos brasileiros, mas cantado com a pronúncia ‘portuga’.
O músico, que ganhou projeção internacional ao dar a primeira vitória a Portugal no Festival Eurovisão da Canção, em 2017, dedica o novo trabalho à música que cresceu a ouvir e que considera “a mais genuína do mundo, a mais honesta e a mais rica”.
“A complexidade das canções não é óbvia à partida, porque parecem simples. Isso é também o que me interessa na música brasileira, a complexidade simples daquelas harmonias, dos ritmos, as letras, é tudo feito com um cuidado absoluto, as produções, os arranjos, desde sempre, é tudo feito com muito cuidado e ao detalhe, em todo o espetro de criação de música”, referiu.
É por tudo isso que Salvador sente que “a música nasceu no Brasil”, mas também porque cresceu a ouvir Maria Bethânia no carro da mãe e Chico César no do pai.
Já mais velho, quando começou a ouvir música “de forma autónoma”, além de Stevie Wonder e Ray Charles, ouvia também muito Caetano Veloso.
Para um músico que já fez espetáculos apenas com canções de Jacques Brel, gravou um álbum no qual recria clássicos da música latino-americana e cantou Fernando Pessoa, fazer um álbum inteiramente dedicado ao Brasil poderia ser um projeto por concretizar, mas não.
“Este disco não estava muito presente na minha cabeça”, confidenciou, contando que “A Flor do Recomeço” partiu de um desafio do jornalista, curador e produtor brasileiro Marcus Preto, em 2023, quando Salvador Sobral foi atuar ao Brasil.
Marcus Preto disse-lhe, na altura, que teria de fazer um disco de música brasileira, mas de canções inéditas.
Entretanto a vida foi acontecendo e Salvador Sobral nunca mais se lembrou disso. Gravou um álbum com a espanhola Sílvia Pérez Cruz, apresentado numa digressão “muito intensa”, ao qual se seguiu um período de “zero imaginação, zero criatividade”.
“Com a situação no mundo, sentia que cantar era supérfluo, o meu ofício era supérfluo, e devia fazer alguma coisa pela Humanidade. Não tinha absolutamente criatividade nenhuma”, partilhou.
Nessa altura, incitado pela companheira, a atriz belga Jenna Thiam, contactou Marcus Preto e “A Flor do Recomeço” começou a ganhar forma.
A lista de autores brasileiros que contribuíram com canções para álbum começou com “toda a gente” que Salvador Sobral admira: “Chico Buarque, Djavan, Roberto Carlos, Caetano Veloso, sei lá, eu pus toda a gente, o sertanejo, o funk brasileiro. Gosto de tudo, então pus todos os compositores, a Bia Ferreira, o hip-hop, tudo”.
Com Marcus Preto, que sugeriu também uma série de nomes que o cantor não conhecia, foi decidindo o que fazia ou não sentido, até chegarem a uma lista final de autores a quem pediriam temas, que pouco a pouco foram recebendo.
“Temos várias gerações representadas, desde a época dourada da MPB [Música Popular Brasileira], como o Paulo César Pinheiro, a Joyce, o Chico César. Depois temos outra geração no meio, com a Adriana Calcanhotto, a Céu e o Arnaldo Antunes, e os jovens, a nova cena brasileira vibrante, como o Tim Bernardes e a Juliana Linhares”, disse.
A lista de autores inclui também Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Marcos Valle, entre outros.
Com os dois convidados do disco a lógica foi a mesma: “Queria ter a nova geração, com a Dora Morelenbaum [em ‘Estrela Cadente’], da nova cena brasileira, e a mais antiga, com o Ney Matogrosso [em ‘Bam Bam’], que tem 85 anos, embora não pareça. Queria ter representatividade de gerações, porque a época de ouro da música brasileira é toda”.
Além de contar com a participação de autores, intérpretes e produtores brasileiros, “A Flor do Recomeço” foi gravado com uma banda de músicos brasileiros.
Apesar de tudo isso, Salvador Sobral canta as 11 canções que compõem o disco com a pronúncia de Portugal.
“Uma coisa de que tínhamos a certeza é que eu tinha de cantar com a minha pronúncia, porque é a única coisa que trago de diferente. Seria muito caricato um cantor português cantar com pronúncia do Brasil, até problemático do ponto de vista colonial e apropriação cultural”, justificou.
Essa decisão obrigou a pequenas alterações em algumas canções.
Nós dizemos ‘curação’ e eles dizem ‘córáção’, e em ‘Bam Bam’, por desgraça, a palavra fica muito tempo no ‘cu’. Para nós era muito estranho, não podia cantar ‘cuuuuuuuuração’, então tive de encontrar um híbrido. Acabou por ficar ainda mais camuflado porque o Ney também canta na música”, contou.
O mesmo acabou por acontecer no refrão do tema que dá título ao álbum “A Flor do Recomeço”, porque ‘te beijei’ soava aos brasileiros como ‘te beijar’, algo que não fazia sentido.
O título da canção, a primeira a ser divulgada, serviu para batizar o novo álbum, por ser bonito, mas também por representar um recomeço na carreira de Salvador (...)" Lusa (Comunidade Cultura e Arte, 17.10.2026)

Temas

CD 1
01
Homem louco
Marcelo Camelo - Mallu Magalhães
03:21
02
Estrela cadente
Joyce - Paulo César Pinheiro
Salvador Sobral & Dora Morelenbaum
03:14
03
A flor do recomeço
Chico César - Eveline Sin
03:28
04
Entre setas e sentimentos
Juliana Linhares - Juliano Holanda
03:14
05
É de se estimar
Martins - Igor de Carvalho
02:39
06
Fique à vontade
Adriana Calcanhotto
03:09
07
Bam bam
Hyldon - Céu - Arnaldo Antunes
Salvador Sobral & Ney Matogrosso
03:20
08
No coração do ar
Zé Renato - Thiago Amud
03:48
09
Tudo pra esquecer o amor
Marcos Valle - Tim Bernardes
03:00
10
Retiro
Ítallo França - Paulo Novaes
03:11
11
Oração do ateu
Vitor Ramil
03:56