Suscripción Newsletter

Recibe noticias y avisos de promociones especiales

Meu nome é ébano - A vida e a obra de Luiz Melodia

Toninho Vaz
Libros: Música

Disponible

27,90 € impuestos inc.

Ficha técnica Libros

Editorial Tordesilhas
Estilo Música
Año de Edición Original 2020
Observaciones biografía

Más

301 páginas (16 x 23 cm) (Peso: 382 g)

Autografiado por el autor

"Em Meu nome é ébano: a vida e a obra de Luiz Melodia, a história do cantor e compositor da MPB Luiz Melodia é recuperada por meio de relato e pesquisa do jornalista Toninho Vaz. Uma das vozes mais talentosas da música brasileira emergente nos anos de chumbo, Luiz Melodia desceu do efervescente morro carioca de São Carlos amadrinhado por Gal Costa e sob a bênção dos amigos Hélio Oiticica, Waly Salomão e Torquato Neto. Luiz Melodia ocupou seu lugar na história da música brasileira como um compositor inventivo e poético, e deixou obras-primas como “Pérola negra”, “Estácio, holly Estácio” e “Juventude transviada”. Neste livro, sua trajetória é relatada para além da fama de artista maldito que acompanhou sua carreira e ditou seu status de outsider da MPB, revelando um artista íntegro, profundamente comprometido com sua obra, com seu legado e com seu tempo."

"Vindo da maior linhagem dos poetas dos morros cariocas, criou algumas das melodias mais inusitadas e belas -além de escrever letras com imagens incríveis. No palco, um sambista sempre elegante fazendo aquele passo diferente no pé, retorcendo o corpo esguio. E o violão extraordinário que tocava, cheio de acordes e divisões estranhas, pouco comuns? Tudo na cadência bonita do samba." Jards Macalé (Texto de la contraportada del libro)

"O maior mérito da biografia Meu nome é ébano – A vida e a obra de Luiz Melodia é mostrar que, por trás de fama de maldito e de artista “difícil”, havia um Negro Gato tão sensível quanto arisco. Tão agregador quanto indócil.
As ideias de Luiz Carlos dos Santos (7 de janeiro de 1951 – 4 de agosto de 2017) nem sempre corresponderam aos fatos veiculados sobre Luiz Melodia, a personalidade que surgiu para o público a partir de novembro de 1971 quando Gal Costa apresentou a canção Pérola negra no roteiro do show Fa-tal – Gal a todo vapor (1971 / 1972) e mostrou ao Brasil a inusitada verve poética e melódica deste compositor criado no Morro de São Carlos, no bairro do Estácio, berço do samba carioca.
Escrito pelo jornalista Toninho Vaz, biógrafo do poeta tropicalista Torquato Neto (1944 – 1972), o livro Meu nome é ébano – A vida e a obra de Luiz Melodia tem lançamento programado pela editora Tordesilhas para 4 de agosto, data em que a morte do artista completa três anos. Introduzida por prólogo em que Vaz contextualiza a relação do autor com a obra de Melodia, a narrativa da biografia é consistente e está estruturada em 15 capítulos.
Os mais fluentes estão concentrados na primeira metade do livro, sobretudo na parte em que o escritor revela a vida pré-fama de Melodia, apelido que Luiz Carlos ganhou aos 12 anos e que aceitou por conectá-lo ao pai, Oswaldo dos Santos, compositor conhecido no morro de São Carlos como Oswaldo Melodia pelo dom musical.
Garoto que amou os Beatles e Roberto Carlos, como muitos que cresceram ao som da Jovem Guarda, Luiz logo mostrou que o dom para a música era herança da família. Ainda adolescente, o artista debutante formou dupla informal com Walmir Lucena, o amigo conhecido nas quebradas de São Carlos como Mizinho, parceiro de Luiz na primeira das 146 músicas, Guarida, da obra autoral do compositor. A Guarida, logo somou-se uma segunda composição da dupla, O playboy, como revela Toninho Vaz ao detalhar a pré-história musical de Luiz.
A biografia corrige pequenas distorções sobre a “descoberta” do artista pelo meio artístico da badalada zona sul carioca ao acentuar que foi o pintor carioca Hélio Oiticica (1937 – 1980) quem primeiro subiu o Morro de São Carlos e – alertado sobre o talento de Luiz pela amiga em comum Rose do Estácio –deu o toque em Waly Salomão (1943 – 2003) e em Torquato Neto.
Mesmo sem ter sido o primeiro a “descobrir” Luiz Melodia, como geralmente era alardeado até então, foi Waly, efervescente poeta baiano, quem fez a ponte do compositor com Gal Costa, primeira cantora da MPB a gravar Luiz Melodia com repercussão, embora Vaz sustente que a primazia é de Lena Rios, cantora piauiense que teria gravado Garanto (Luiz Melodia e Célio José) antes de Gal (sites especializados na história da fonografia brasileira creditam o disco de Lena ao ano de 1972 enquanto o álbum ao vivo de Gal foi lançado em dezembro de 1971).
De todo modo, o fato é que Pérola negra somente entrou no histórico show de Gal porque a censura vetou Presente cotidiano, música que Melodia fizera para a cantora incluir no show Fa-tal. Com a proibição, Pérola negra foi a composição de Luiz escolhida para o roteiro e o resto é história.
Aliás, na página 48, Toninho Vaz se confunde ao cravar que Angela Maria (1929 – 2018) também teria gravado Pérola negra em álbum de 1971 intitulado Angela, quando, na realidade, a Sapoti regravou a música em LP de 1972 também intitulado Angela.
Erros eventuais à parte, o autor mostra bom domínio da história que conta com notável interesse nas 336 páginas da biografia Meu nome é ébano – A vida e a obra de Luiz Melodia, relatando fatos curiosos como o porre do artista e de músicos momentos antes de entrar em cena em show idealizado por Torquato Neto para mostrar a voz de Melodia antes de o artista lançar o primeiro álbum – o que inviabilizou a apresentação e gerou rusga séria entre o cantor e o poeta tropicalista.
Com o status obtido como compositor pelas gravações de Gal e de Maria Bethânia, que lançou o samba Estácio Holly, Estácio em 1972, Melodia ficou famoso, passou a ser cortejado pelas mulheres (e aproveitou a vida sexual que se descortinou e se intensificou com o aroma afrodisíaco do sucesso) e teve a oportunidade de gravar, na Philips, o primeiro álbum, Pérola negra, LP lançado em 1973 e desde então item indispensável em qualquer antologia fonográfica brasileira.
Com a fama, vieram também os dissabores do sucesso e as incompreensões de um público nem sempre aberto para entender a sintaxe singular da música de Luiz Melodia.
As vaias e os intoleráveis xingamentos racistas dirigidos ao cantor, em apresentação em festival no interior de Pernambuco em fevereiro de 1973, provocaram crise de choro e cicatrizes invisíveis em Luiz, que já convivera com o enojante racismo da polícia quando, antes da fama, ele era um jovem negro que, como muitos, chegou a ser interpelado por guardas somente pela cor da pele, sem ter dado motivo algum para ser alvo de desconfiança policial.
A pressão de Roberto Menescal, diretor artístico da gravadora Philips, por um segundo álbum do cantor – com repertório voltado para o samba – também causou indigestão e a ruptura com a companhia. Começava a nascer a fama de “maldito” que acompanharia Luiz Melodia por toda a vida, mas que, como contextualiza Toninho Vaz, era tão somente fruto da independência artística desse cantor e compositor indomável.
Além dos embates profissionais do artista, Vaz narra as aventuras afetivas de Luiz com mulheres como a dançarina capixaba Beatriz Saldanha – em união que gerou o primeiro filho do cantor, Hiram, do qual o pai ficou anos afastado porque o menino foi criado em Vitória (ES) – e a baiana Jane Reis, companheira (e futura empresária) que conheceu no verão de 1977, em Salvador (BA), e que se tornou um norte na vida do artista e de cidadão cuja existência foi pautada por excessos de afeto e álcool em combinação às vezes explosiva.
Sem jamais dar tom popularesco à narrativa, Toninho Vaz mantém o domínio da arte sobre a vida privada, sobretudo na segunda metade do livro, mais concentrada nos relatos de discos e shows. O autor relata os conceitos de álbuns como Maravilhas contemporâneas (1976), Mico de circo (1978), Nós (1980), Felino (1983), Claro (1987) e Pintando o sete (1991), Relíquias (1995), 14 quilates (1997), Retrato do artista quando coisa (2001) e Zerima (2014), entre outros títulos – todos com os respectivos repertórios listados na discografia anexada à parte final do livro com as devidas capas dos LPs/CDs.
Sem deixar de enaltecer o talento do artista biografado, mas tampouco sem pintar o Negro Gato com o verniz artificial das biografias chapa brancas, o livro Meu nome é ébano – A vida e a obra de Luiz Melodia cumpre bem o papel de contar a história de um ser humano complexo, artista ora amoroso, ora rebelde, por conta da natureza independente de quem nasceu, viveu e morreu livre." Mauro Ferreira (g1.globo.com, 20.07.2020)