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Aquelas coisas todas (Música encontros idéias)

Joyce
Libros: Música

Próximamente disponible

28,91 € impuestos inc.

Ficha técnica Libros

Editorial Numa Editora
Estilo Música
Año de Edición Original 2020

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352 páginas (14 x 18 cm, ilustrado) (Peso: 450 g)

“Aquelas Coisas Todas não é apenas mais um livro de memórias de Joyce Moreno. É uma antologia sobre música, encontros e ideias escrita por alguém que sempre manteve a curiosidade, a capacidade analítica e o faro de jornalista forjado no lendário Caderno B, do Jornal do Brasil.
Dividido em duas partes, Aquelas Coisas Todas recupera textos que Joyce escreveu para Fotografei Você na Minha Rolleyflex, livro que lançou em 1997, em que relata fatos com senso crítico e faz uma análise relevante não só da música, mas da cultura brasileira como um todo. Em escritos mais recentes, ainda não publicados, ela se revela uma cronista de mão cheia tratando, com conhecimento de causa, de temas como o feminismo.
Os sortudos que a conhecem sabem que a música que faz não tem fronteiras, e é referência tanto para os sambistas contemporâneos da Lapa quanto para o rock das bandas internacionais Tortoise e Superchunk, sem contar os fãs fiéis do Japão. Joyce sempre transitou por todas as tribos, especialmente em um momento no qual cantores e compositores brasileiros estavam divididos, como ela bem conta neste livro. Por conta dessa versatilidade, ela consegue traçar um panorama vigoroso de nossa música por uma ótica singular.
A garota nascida em Copacabana tem muita história pra contar. E é curioso lembrar que em uma canção de 1969, Encontro Marcado, ela dizia "ter preguiça de ir pra frente". Mas ela foi e está tudo aqui. Joyce Moreno continua tirando "fotografias" em sua Rolleiflex. Sem esquecer o principal: a música.
P.S: Bons entendedores vão sacar que o título é uma homenagem a Toninho Horta, velho amigo de Joyce." Renato Vieira

"Para escrever bem, é preciso ter apurada noção de ritmo. As palavras e as ideias precisam ser alinhadas com bossa para que o texto flua bem como agradável canção que entra suavemente pelos ouvidos.
A cantora, compositora e violonista Joyce Moreno provou que tem essa bossa (também) na escrita quando, em 1997, lançou o saboroso livro de memórias Fotografei você na minha Rolleiflex.
Posto efetivamente nas livrarias neste mês de dezembro, em edição da Numa Editora, o segundo livro da artista carioca, Aquelas coisas todas – Música, encontros, ideias comprova a bossa da autora para escrever crônicas, gênero de texto que exige precisão, charme, timing e concisão – atributos raros de serem identificados juntos em uma escrita.
O título Aquelas coisas todas alude tanto ao leque variado de temas dos textos – que versam sobre aquilo que também podemos chamar de vida – como ao nome de composição do amigo Toninho Horta, Aquelas coisas todas (Sanguessuga), música apresentada em 1979 em disco de Sergio Mendes (alvo inominado de O homem, um dos textos mais espirituosos do livro de 1997).
Com 352 páginas e algumas fotos, o livro Aquelas coisas todas está estruturado em duas partes. A primeira traz a reedição Remix – assim batizada por Joyce Moreno – do livro de 1997.
A segunda – a mais interessante para os fiéis seguidores da artista que já leram o livro anterior – se chama Tudo é uma canção e apresenta 51 crônicas inéditas, seguidas pela letra da música Tudo (2012) e pelos agradecimentos.
Ao discorrer sobre a vida profissional e pessoal em textos geralmente memorialistas, Joyce expõe visão de vida condizente com a música que faz desde meados dos anos 1960.
Tanto na vida como na música, Joyce Moreno declarou independência (dos esquemas pré-estabelecidos), derrubou barreiras machistas e impôs visão feminina – e não por acaso Feminina é o título do samba que, lançado em 1979 pelo Quarteto em Cy, contribuiu para que portas fossem abertas no mercado fonográfico para a compositora ganhar visibilidade como cantora a partir de 1980, ano do álbum também intitulado Feminina e lançado no rastro de gravações de músicas de Joyce por intérpretes do quilate de Elis Regina (1945 – 1982), Maria Bethânia e Ney Matogrosso.
A explosão da canção Clareana (Joyce Moreno e Maurício Maestro) em festival de 1980 e as consequências do estouro da música na vida da artista também são assuntos de crônicas.
Em muitos textos do livro Aquelas coisas todas, Joyce escreve sobre colegas brasileiros e internacionais com afeto, mas sem açúcar. Peculiaridades do caráter de uns e outros ficam evidentes nas entrelinhas sem que a autora jamais atenue a admiração que sente por companheiros de jornada musical.
Há também assuntos mais ácidos. Logo no quinto dos 51 textos inéditos, a artista fala pela primeira vez – sem dar nome aos algozes – do boicote que sofreu (sem ter consciência na época) na indústria fonográfica do Brasil, a partir de 1982, por ter cobrado da gravadora EMI-Odeon os devidos direitos autorais pelo uso das bases da gravação da já citada canção Clareana em álbum da cantora Sonia Mello, Grandes mulheres, grandes sucessos (1980), produzido por Miguel Plopschi.
Contudo, o tom das crônicas de Aquelas coisas todas jamais se torna lamurioso. Ao contrário. Os textos trazem a voz feliz de uma pessoa vitoriosa que, fiel a si mesma e aos chamados da deusa música, driblou pré-conceitos, reverteu expectativas – ou alguém imaginou que a cantora e compositora empurrada para as margens independentes do mercado fonográfico brasileiro em 1982 daria a volta (ao mundo) por cima, se tornando reverenciada no Japão, cultuada nas pistas das Europa e respeitada em nichos jazzísticos dos Estados Unidos? – e pavimentou caminho coerente com a visão de mundo lapidada na vida.
Escritas sem intenções ou rigores biográficos, as crônicas acabam por traçar perfil de Joyce Moreno. A criação da mãe – que supriu o papel do pai ausente, inclusive ao aplicar doses nem sempre bem calculadas de liberalidade e controle na filha que adolesceu nas areias libertárias das praias de Copacabana e Ipanema – certamente ajudou a moldar a personalidade feminista de Joyce, que relata casos de assédio sexual em tempos em que o assunto estava fora das pautas sociais.
Enfim, Aquelas coisas todas é livro em que Joyce Moreno fala amorosamente de música (merece menção honrosa o texto sobre as diferenças entre arranjo e orquestração), encontros (com gênios como Vinicius de Moraes, de quem perdeu a oportunidade de ser parceira, como sugeriu o poeta compositor) e ideias (como a defesa do amor romântico, feita com propriedade por quem se harmonizou na vida e na música com o baterista Tutty Moreno) – como explicita o subtítulo.
E Joyce Moreno fala de tudo com a tal da bossa que uns têm no ato de escrever com ritmo que captura o leitor como uma boa música." Mauro Ferreira (g1.gobo.com, 09.12.2020)