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1973 - O ano que reinventou a MPB

Célio Albuquerque
Libros: Música

Disponible

39,31 € impuestos inc.

Ficha técnica Libros

Editorial Sonora Editora
Estilo Música
Año de Edición Original 2014

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432 páginas (16 x 23 cm, ilustrado en blanco y negro) (Peso: 655 g)

"O ano de 1973 não chegou a reinventar a MPB como alardeia o título deste livro que inventaria 50 discos lançados ao longo daqueles 365 dias. Mas é fato que alguns álbuns de 1973 apontaram novos rumos para a música brasileira. Basta dizer que o ano deu à luz os primeiros álbuns de Fagner, João Bosco, Luiz Melodia, Raul Seixas (1945 - 1989), Sérgio Sampaio (1947 - 1994) e do trio Secos & Molhados (1971 - 1974) - discos que já garantem a 1973 lugar de honra no calendário da música brasileira. Só que 1973 - O ano que reinventou a MPB - livro editado em janeiro de 2014 pela Sonora Editora - vai além desses discos de fato antológicos e analisa 50 títulos em seleção abrangente que peca somente pela omissão do primeiro álbum da cantora baiana Simone. De leitura saborosa para quem se interessa pelo passado da música brasileira, o livro se apresenta desigual pela ausência de um padrão que conferisse unidade estilística aos textos assinados por jornalistas, compositores e músicos. Com a liberdade provavelmente concedida pelo organizador do livro, o jornalista Célio Albuquerque, cada autor foi por um caminho, sem regras e sem rigores. A maioria destrincha o disco que escolheu para analisar. Nessa linha crítica, são exemplares - entre outros - o texto escrito pelo jornalista carioca Silvio Essinger sobre Krig-ha, bandolo! (o ótimo primeiro álbum solo de Raul Seixas), a pensata do produtor Ricardo Moreira sobre Araçá azul (o controvertido álbum experimental de Caetano Veloso), a análise de Quem é quem (álbum que deu maior visibilidade a João Donato) pelo jornalista Antonio Carlos Miguel, a visão de João Bosco pelo jornalista Luiz Fernando Vianna e a abordagem do álbum Clara Nunes (o LP gravado pela cantora mineira a um passo da consagração nacional de 1974) por Vagner Fernandes, biógrafo de Clara Nunes (1942 - 1983). São textos que contextualizam o disco e o artista sem cair no didatismo histórico adotado, por exemplo, pela pesquisadora e jornalista Analu Germano ao escrever sobre Canto por um novo dia, o álbum que definiu a personalidade artística de Beth Carvalho. Há autores que optaram por escrever um texto mais informativo, ao estilo de uma reportagem, sobre os discos que lhe couberam. Nessa linha, merecem menções honrosas o texto de Roberto Muggiati sobre Matita Perê (álbum que ditaria os caminhos da música de Antonio Carlos Jobim dali em diante) e o de Ricardo Schott sobre o disco Guilherme Lamounier. O texto de Muggiati é um dos poucos que realmente desvendam histórias de bastidores sobre o disco analisado - como é prometido (mas raramente cumprido) na capa do livro. De caráter majoritariamente biográfico, o texto de Schott cumpre bem a função de apresentar o carioca Guilherme Lamounier, compositor que não emplacou como cantor e atualmente é nome conhecido somente pelos poucos que sabem que são dele algumas músicas (Enrosca, Seu melhor amigo) popularizadas nas vozes de Fábio Jr. e da finada dupla Sandy & Junior (a mesma Enrosca). Por fim, há a corrente de autores que adotam tom mais pessoal, escrevendo na primeira pessoa. Com conhecimento de causa por conta de seu vasto currículo como produtor de discos de samba, Rildo Hora se sai bem nessa linha ao discorrer sobre Origens, álbum de Martinho da Vila. Ao comentar sobre o álbum Amazonas (de Naná Vasconcelos) sem o compromisso de fazer crítica ou texto jornalístico, o percussionista carioca Marcos Suzano se permite ressaltar sua conexão com seu colega pernambucano, revelando influências e curiosidades que são mais pertinentes do que as revelações de cunho pessoal feitas pelo ator, cantor e jornalista mineiro Thelmo Lins sobre o disco Drama 3º ato. Lins fala mais do impacto deste cultuado álbum ao vivo de Maria Bethânia na sua vida pessoal do que do disco em si. Mesmo que eventualmente desafine, 1973 - O ano que reinventou a MPB é livro que seduz quem dá valor a álbuns numa era digital em que o livre trânsito de músicas avulsas na internet diluiu o interesse de boa parte da nova geração por álbuns como os analisados, em tons distintos, neste inventário da produção fonográfica brasileira de 1973, ano que, como 1968, nunca terminou para os amantes da boa e velha MPB." Mauro Ferreira (Blog Notas Musicais, 05.02.2014)