Suscripción Newsletter

Recibe noticias y avisos de promociones especiales

Flausino Vale (Acervo Funarte)

Jerzy Milewski
Discos: Clásica / Folclore

Disponible

16,62 € impuestos inc.

Ficha técnica Discos

Sello Funarte / Atração Fonográfica
Estilo Clásica / Folclore
Año de Edición Original 1984
Instrumental

Más

Jerzy Milewski (violín solo)

Primera edición en CD, de 1999, del disco lanzado originalmente en 1984 por el sello Funarte, con el título "Flausino Vale - Prelúdios característicos e concertantes para violino só " y con diferente portada (la segunda foto es la de la edición original).

"Dentre a produção musical de Flausino Vale, os 26 Prelúdios Característicos e Concertantes para violino só são, provavelmente, a obra mais conhecida do violinista mineiro. Escritos durante um período de aproximadamente 30 anos, seus prelúdios foram concebidos, inicialmente, como um conjunto de nove peças intitulado Suíte mineira (1922-1929). Segundo Frésca, este projeto inicial teria um vínculo estreito com a cultura regional mineira, refletindo as características de seu povo. Flausino Vale tinha a intenção de publicar este material, ideia que vigorou até o início da década de 1930, como registra o manuscrito datado de 1932 e endereçado ao Instituto Nacional de Música. Entretanto, não se pode precisar quando Vale abandona a Suíte mineira e parte em busca de um projeto mais “ambicioso”, que buscava não somente retratar a cultura regional, mas, sim, uma cultura nacional. E assim surgem os prelúdios característicos e concertantes.
Apesar de ter escrito obras para outros instrumentos e formações, Vale tinha especial apreço pela sua produção para violino desacompanhado, visto que o compositor: "(...) sempre buscou mostrar a independência do violino e enxergava nessas peças o melhor de sua realização (Frésca, 2010, p. 151).
Vemos esta importância atribuída por Flausino Vale às suas obras solo, inclusive, através do interesse e luta pela publicação integral de seus prelúdios (...)
Contudo, mesmo despendendo esforços por boa parte de sua vida com a finalidade de ver sua obra publicada, Flausino Vale nunca viu seu sonho se concretizar. Dentre as poucas obras publicadas de forma individual, encontram-se os prelúdios Batuque, Casamento na roça, Ao pé da fogueira e Asas inquietas. Não se sabe ao certo como, mas o célebre violinista Jascha Heifetz (1901-1987) teve contato com o prelúdio Ao pé da fogueira e compôs uma parte de acompanhamento para piano. Publicou esta nova versão, gravou a obra em 1945 e ainda deu masterclasses sobre ela. Além de ter lançado o nome de Flausino Vale ao mundo, este é, provavelmente, o motivo do violinista brasileiro não ter caído em completo esquecimento (Frésca, 2010, p. 152). Somente assim, a obra de Flausino Vale foi divulgada, gerando a curiosidade dos maiores violinista de seu tempo, como Jascha Heifetz, Isaac Stern, Zino Francescatti (1902-1991), Ruggiero Ricci (1918-2012) e Henryk Szeryng (1918-1988), músicos que executaram e gravaram sua obra. Cada um desses nomes, inclusive, é alvo de dedicatória de alguns dos 26 Prelúdios Característicos e Concertantes para Violino Só (...).
No Brasil, quem mais se interessou pela música de Flausino Vale foi também um estrangeiro: o polonês Jerzy Milewski (1946-2017). Em 1984, Milewski registrou em vinil a primeira gravação (quase) integral dos prelúdios, gravando 21 deles (Suspiro d’Alma, Marcha Fúnebre, Canto da Inhuma, Ao pé da fogueira – curiosamente – e Prelúdio da Vitória não foram gravados no seu disco “Flausino Vale: prelúdios característicos e concertantes”, de 1984). Um ano depois, em 1985, o violinista polonês organizou a publicação de um livro dedicado a contar a história de Flausino Vale, reunindo depoimentos e relatos sobre o mineiro de Barbacena. Esta obra continha, ainda, um vinil com gravações do próprio Vale. Em 1993, Hermes Alvarenga foi o primeiro brasileiro a pesquisar em sua dissertação de mestrado os 26 Prelúdios, discorrendo sobre a vida de Flausino Vale, além de aspectos musicais e violinísticos da obra.
Somente em 2011, graças à parceria da musicóloga Camila Frésca e do violinista Cláudio Cruz, vemos um maior interesse pela música de Flausino Vale por parte dos músicos brasileiros. Desta parceria resultaram, finalmente, a primeira edição e gravação integrais dos 26 Prelúdios Característicos e Concertantes para Violino Só.
Além do valor violinístico, Flausino Vale expressa sua convicção (em carta para Curt Lange) quanto ao valor pedagógico de seus prelúdios, que passam a apresentar, portanto, dupla função. (...) o grande interesse dessas peças residiria no fato de serem obras tanto de estudo como de concerto, além de mostrarem que o violino é um instrumento autônomo, prescindindo de outros para acompanhá-lo. Por isto mesmo, seriam peças a exigir técnica elevada e segura dos intérpretes (Frésca, 2010, p. 110).
(...) É necessário apontar que Flausino Vale, através de sua formação quase autodidata, utilizou-se daquilo que aprendeu em seus estudos e pesquisas para criar sua própria forma de expressão, unindo o virtuosismo concertante à característica cultura brasileira popular, conectando a tradição europeia às manifestações folclóricas, área de interesse e pesquisa de Vale, demonstrando estreito vinculo entre sua história pessoal e sua criação musical." Alisson Berbert (canalparaviolinistas.com)

"Flausino Vale deixou composições em todos os estilos, porém brilhou mais nos prelúdios. São peças leves, de curta duração, geralmente de técnica tão transcendente que poucos artistas podem executá-las. Neles, desfila sua biografia. São registros musicais de passagens tristes às vezes, e às vezes jocosas. Batuque recorda o dedilhar da viola de seu saudoso ‘vovô Flausino’. Suspiro d’alma é uma confissão de amor, ou talvez, quem sabe, uma lembrança de seu primeiro caso amoroso. Marcha Fúnebre brotou-lhe em súbita inspiração em um momento de dor, quando carregava o caixão de sua muito querida mãe. Rondó Doméstico é uma cena familiar; a alegre correria de seus pirralhos que lhe interrompem uma terna melodia. Casamento Na Roça evoca a alegria ingênua e muito mineira dos festejos sertanejos, com violas e desafios, fogueiras e quadrilhas. A Porteira da Fazenda é um hino de brasilidade. Ao Pé da Fogueira interpreta o alegre aconchego nas frias noites de junho. Viola Destemida, Tico-tico, A Mocinha e o Papudo, Pai João, Folguedo Campestre, Requiescate in pace, Viva S. João, Mocidade Eterna, são alguns dos títulos que descrevem per si a personalidade de Flausino Vale, este músico simples, rabequista, como dizia, mas cujo valor estava nesta mesma simplicidade, por que escreveu aquilo que sentia, sem preocupação de agradar a ninguém, nem de seguir esta ou aquela escola, obedecendo apenas aos impulsos mais íntimos de sua alma de verdadeiro artista (...) os 26 Prelúdios Característicos e Concertantes para violino só revelam um enorme domínio do instrumento e muita imaginação. Algumas são quadros poéticos do folclore ou da vida do interior. Há os que revelam uma sensibilidade quase ingênua – como as pequenas peças que exploram o pizzicato. Outras exigem considerável virtuosismo. Em todas, muito espírito e muito sentimento de brasilidade." Jerzy Milewski

Temas

CD 1
01
Devaneio
Flausino Vale
01:00
02
Sonhando
Flausino Vale
01:45
03
Tico-tico
Flausino Vale
02:49
04
A porteira da fazenda
Flausino Vale
01:32
05
Viola destemida
Flausino Vale
02:01
06
Folguedo campestre
Flausino Vale
01:31
07
Implorando
Flausino Vale
01:41
08
A mocinha e o papudo
Flausino Vale
02:36
09
Asas inquietas
Flausino Vale
02:21
10
Interrogando o destino
Flausino Vale
02:50
11
Batuque
Flausino Vale
01:10
12
Requiescat in pace
Flausino Vale
03:03
13
Mocidade eterna
Flausino Vale
01:35
14
Acalanto
Flausino Vale
01:39
15
Rondó doméstico
Flausino Vale
01:50
16
Tirana riograndense
Flausino Vale
02:39
17
Repente
Flausino Vale
01:22
18
Brado íntimo
Flausino Vale
01:25
19
Viva São João
Flausino Vale
03:23
20
Pai João
Flausino Vale
01:58
21
Casamento na roça
Flausino Vale
01:43